Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha articulou blindagem em caso de homicídio no Maranhão
14/08/2026
(Foto: Reprodução) Senador Weverton Rocha
Waldemir Barreto/Agência Senado
Um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apura se o senador Weverton Rocha (PDT- MA) atuou para tentar atrapalhar as investigações de um assassinato ocorrido em 2022 e se contou com o auxílio de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Polícia Federal (PF) localizou no celular do senador contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, que decidiu pela transferência para a Penitenciária Federal de Brasília de Gilbson Cutrim Soares Júnior, condenado na Justiça do Maranhão pelo assassinato.
“A análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou a existência de comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025. De acordo com a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, sendo identificadas mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias, a partir dos terminais vinculados a ambos”, afirmou a PF.
A PF disse que um dos contatos teriam ocorrido no dia 2 de junho 2025, data da transferência de Gilbson Cutrim.
Diferentemente do senador, o ministro Humberto Martins não é investigado.
A PF quer agora entender qual o papel do senador no desdobramento dessa investigação. Isso porque, ainda de acordo com a corporação, há indícios da “atuação de grupo organizado agindo deliberadamente para a obstrução de investigação, inicialmente em andamento na Justiça do Estado do Maranhão, depois no Superior Tribunal de Justiça, e agora no âmbito deste Supremo Tribunal Federal”.
Suspeitas PF sobre a atuação de Raimundo Cutrim
A PF também investiga a atuação de Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão e que está em prisão domiciliar neste caso. Ele também foi alvo de uma busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da PF, que o aponta como informante de um jornalista que é investigado por perseguir o ministro Flávio Dino.
Segundo a PF, no caso do assassinato, Cutrim teria agido para garantir silêncio absoluto sobre a suposta participação de agentes públicos e integrantes da família Brandão. Uma espécie de contrainteligência.
Ele teria teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares do assassino para alterar depoimentos.
“Segundo o relato, o montante teria sido fracionado em três parcelas, R$ 80.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, sendo os valores entregues no imóvel vinculado a Raimundo Cutrim, situado no bairro Vinhais, São Luís/MA”, disse a PF.
Entenda o caso
O caso envolve o homicídio, em 2022, do empresário João Bosco Sobrinho. Gilbson Cutrim foi considerado executor do crime pela Justiça do Maranhão e condenado a 13 anos de prisão.
Há suspeita de envolvimento da família do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB). É apurado se o assassinato tem ligação com cobrança de propina de Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão.
Gilbson disse que Raimundo Cutrim, teria oferecido ao pai dele "vantagens, dinheiro e casas" para "tirar o nome do Daniel e do pessoal da família Brandão" de depoimentos.
De acordo com a PF, há um “ecossistema empresarial criminoso” que envolve a cúpula do governo do Maranhão e supostos crimes de corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça.